Estimativas de Localização e de Variabilidade

por Frank de Alcantara em 03/08/2026

Estimativas de Localização e de Variabilidade

No artigo anterior desta série, a curiosa leitora aprendeu a distinguir os tipos de dados e a separar o parâmetro que quer conhecer da estatística que consegue calcular. Ficou combinado que só sobre variáveis numéricas a aritmética é legítima. Pois é exatamente sobre variáveis numéricas que este artigo se debruça, para responder às duas primeiras perguntas de toda análise descritiva: onde está o centro dos dados, e o quanto eles se espalham em torno desse centro.

Índice da Série: Estatística Orientada à Ciência de Dados

As duas perguntas parecem inocentes e não são. Há mais de uma noção razoável de centro, e elas discordam quando os dados têm valores extremos. Há mais de uma noção de dispersão, e elas medem coisas diferentes. A mesma álgebra dos desvios também aparece quando deixamos de descrever uma amostra e passamos a avaliar previsões, sob o nome de MSE. Escolher a medida errada não gera um erro de sintaxe, gera uma conclusão confiante e falsa, o pior tipo de erro. Vamos, portanto, construir cada medida com cuidado, sempre perguntando: o que acontece com ela quando um único valor extremo, um outlier, entra em cena?

Reaproveitaremos o conjunto de dados do artigo anterior: os salários mensais, em milhares de reais, de uma equipe de oito pessoas de uma empresa de software. Ordenados, eles são

\[6{,}5 \quad 7{,}1 \quad 8{,}2 \quad 9{,}0 \quad 12{,}0 \quad 13{,}4 \quad 15{,}5 \quad 22{,}0.\]

Oito números que a leitora reconhecerá em cada seção deste artigo e no laboratório ao final. O combinado sobre código permanece: exemplos em C++23; a leitora reimplementa como quiser; nos laboratórios, a referência é Python no Colab.

1. A média e suas variações

A medida de centro mais conhecida é a média aritmética, a soma dos valores dividida pela quantidade deles. Para uma amostra com $n$ observações, $x_i$ representa o valor no índice $i$, de $0$ a $n-1$, e $\bar{x}$ representa a média amostral. Essa estatística é

\[\bar{x} = \frac{1}{n}\sum_{i=0}^{n-1} x_i,\]

na qual $n$ é o tamanho da amostra e $x_i$ o valor no índice $i$. Para o conjunto simples ${2, 5, 1, 7, 5}$, temos $\bar{x} = (2+5+1+7+5)/5 = 20/5 = 4$. Para os salários da equipe, a soma é $93{,}7$ e a média é $\bar{x} = 93{,}7/8 = 11{,}7125$ mil reais. A média tem uma interpretação física exata: é o ponto de equilíbrio dos dados, o lugar onde a régua se equilibraria se cada observação fosse um peso igual sobre ela. Sob um modelo normal, ela também é um estimador eficiente do centro, com variância menor que a mediana. Essa vantagem depende do modelo: em distribuições de cauda pesada, a sensibilidade aos extremos pode anulá-la.

Para conter esse defeito sem abandonar a média, a estatística oferece a média aparada (trimmed mean): descartamos uma fração fixa dos valores em cada extremo, ordenados, e tiramos a média do que sobra. Formalmente, para uma proporção de corte $\alpha$ com $0 \le \alpha < 0{,}5$, ordenamos os dados, removemos os $\lfloor \alpha n \rfloor$ menores e os $\lfloor \alpha n \rfloor$ maiores, e calculamos a média dos restantes. Com os salários e $\alpha = 0{,}20$, temos $\lfloor 0{,}20 \times 8 \rfloor = 1$, então descartamos o menor ($6{,}5$) e o maior ($22{,}0$) e tiramos a média dos seis centrais:

\[\bar{x}_{0{,}20} = \frac{7{,}1 + 8{,}2 + 9{,}0 + 12{,}0 + 13{,}4 + 15{,}5}{6} = \frac{65{,}2}{6} \approx 10{,}8667.\]

A média aparada, $10{,}87$ mil, é menor que a média completa, $11{,}71$ mil, precisamente porque removeu o salário de $22{,}0$ mil que puxava a média para cima. Ela é um meio-termo entre a média e a mediana da próxima seção: com $\alpha = 0$ recupera a média e, em amostras cada vez maiores, aparas próximas de $0{,}5$ deixam apenas a região central. Em uma amostra finita, o piso $\lfloor\alpha n\rfloor$ cria degraus; não há aproximação contínua dentro de um conjunto fixo.

Uma terceira variação surge quando os valores não têm todos a mesma importância. A média ponderada (weighted mean) atribui a cada valor $x_i$ um peso $w_i$ e calcula

\[\bar{x}_w = \frac{\sum_{i=1}^{n} w_i x_i}{\sum_{i=1}^{n} w_i},\]

na qual $w_i$ é o peso do valor no índice $i$. Neste artigo assumimos $w_i\ge0$ e $\sum_iw_i>0$, condições que permitem interpretar pesos como frequência, importância ou confiança. Se três avaliações valem $7$, $8$ e $9$ com pesos $1$, $2$ e $3$, a média ponderada é $\bar{x}_w = (7\cdot 1 + 8\cdot 2 + 9\cdot 3)/(1+2+3) = 50/6 \approx 8{,}333$, puxada para cima pelo peso maior da nota mais alta. A média aritmética comum é o caso particular em que todos os pesos são iguais.

1.1 Exercícios da Seção 1

Exercício 1. Calcule a média aritmética de ${2, 5, 1, 7, 5}$.

Resolução. $\bar{x} = (2+5+1+7+5)/5 = 20/5 = 4$. A média é exatamente $4$; note que o valor $4$ não aparece no conjunto, o que é comum: a média não precisa ser um dos dados.

Exercício 2. Calcule a média aparada a $20\%$ dos salários da equipe e explique por que ela difere da média completa.

Resolução. Com $n = 8$ e $\alpha = 0{,}20$, descartamos $\lfloor 1{,}6 \rfloor = 1$ valor em cada extremo: saem $6{,}5$ e $22{,}0$. A média dos seis restantes é $65{,}2/6 \approx 10{,}8667$. Ela é menor que a média completa ($11{,}7125$) porque o salário atípico de $22{,}0$ mil, que inflava a média, foi removido; o extremo inferior removido, $6{,}5$, era menos distante do centro e compensava menos.

Exercício 3. Uma turma tem três provas com pesos $2$, $3$ e $5$. Uma aluna tirou $6{,}0$, $7{,}0$ e $9{,}0$. Calcule sua média ponderada.

Resolução. $\bar{x}_w = (6{,}0\cdot 2 + 7{,}0\cdot 3 + 9{,}0\cdot 5)/(2+3+5) = (12 + 21 + 45)/10 = 78/10 = 7{,}8$. A nota final é $7{,}8$, mais próxima do $9{,}0$ do que a média simples ($7{,}33$) seria, porque a prova de maior nota tinha o maior peso.

Exercício 4. Mostre que a média aparada com $\alpha = 0$ coincide com a média aritmética.

Resolução. Com $\alpha = 0$, temos $\lfloor 0 \cdot n \rfloor = 0$, então nenhum valor é descartado em nenhum extremo. A média aparada torna-se a média de todos os $n$ valores, que é exatamente a definição de $\bar{x}$. A média aparada é, portanto, uma generalização da média, não uma alternativa incompatível.

Exercício 5. Construa um conjunto de cinco valores em que a média aparada a $20\%$ difira da média completa em mais de $50\%$.

Resolução. Tome ${1, 2, 3, 4, 1000}$. A média completa é $(1+2+3+4+1000)/5 = 1010/5 = 202$. Com $\alpha = 0{,}20$ e $n = 5$, descartamos $\lfloor 1 \rfloor = 1$ valor em cada extremo: saem $1$ e $1000$, e a média dos três centrais é $(2+3+4)/3 = 3$. A diferença relativa é $(202-3)/202 \approx 98{,}5\%$, muito além de $50\%$. Um único outlier extremo domina a média e é justamente o que a média aparada descarta.

2. Mediana e estimativas robustas

A mediana responde à pergunta do centro de outra forma: é o valor que divide os dados ordenados ao meio, com metade abaixo e metade acima. Para um número ímpar de observações, é o valor central; para um número par, é a média dos dois valores centrais. Ordenados os salários,

\[6{,}5 \quad 7{,}1 \quad 8{,}2 \quad \underbrace{9{,}0 \quad 12{,}0}_{\text{centrais}} \quad 13{,}4 \quad 15{,}5 \quad 22{,}0,\]

os dois valores centrais são $9{,}0$ e $12{,}0$, e a mediana é $(9{,}0 + 12{,}0)/2 = 10{,}5$ mil reais. A leitora deve reparar que a mediana, $10{,}5$, é menor que a média, $11{,}71$. A diferença não é acaso: como observamos no artigo anterior, o salário de $22{,}0$ mil puxa a média para cima, mas não move a mediana, que só se importa com quem está no meio da fila, não com o quanto os extremos são extremos.

As três medidas de centro construídas até aqui cabem em uma régua, e a Figura 1 as coloca lá. A distância entre elas não é ruído de arredondamento: é o efeito de um único valor alto, medido em milhares de reais.

Reta numérica de 6 a 23 mil reais com os oito salários marcados como pontos e três marcadores verticais indicando a média 11,7125, a média aparada a vinte por cento 10,8667 e a mediana 10,5. Os dois valores descartados pela apara, 6,5 e 22,0, aparecem como círculos vazados, e um triângulo sob a média indica o ponto de equilíbrio da régua. Figura 1: A média é o ponto de equilíbrio e paga por isso: só ela se desloca quando um extremo cresce. Entre ela e a mediana há $1{,}2125$ mil reais de diferença, produzidos por uma única observação.

Essa indiferença ao tamanho de um extremo é a robustez, quantificada pelo ponto de ruptura de substituição (replacement breakdown point): a menor fração da amostra que, substituída por valores arbitrários, pode tornar a estimativa arbitrariamente distante. Em uma amostra de tamanho $n$, a média rompe com uma substituição, portanto seu ponto finito é $1/n$ e tende a $0$ quando $n\to\infty$. Com os oito salários, substituir $22{,}0$ por $1\,000\,000$ leva a média a $125\,008{,}9625$ mil: uma fração $1/8$ bastou.

Para a mediana usual dos oito valores, quatro substituições dirigidas à mesma cauda bastam para levar um dos valores centrais ao infinito e, com ele, a média dos dois centrais; o ponto é $4/8=0{,}5$. Com $n=9$, são necessárias cinco, fração $5/9$. A sequência se aproxima de $0{,}5$. Esse é o maior limite assintótico entre estimadores de localização equivariantes usuais. Sem restringir a classe, a afirmação seria falsa: uma “estatística” constante nunca rompe e também nunca acompanha o centro.

A Figura 2 mostra o que essas frações significam em movimento. Substituímos o salário de $22{,}0$ mil por valores cada vez maiores, mantendo $n = 8$, e acompanhamos as três medidas de centro. A média sobe em linha reta, com inclinação $1/n = 0{,}125$; as outras duas não saem do lugar.

Gráfico de linhas em que o eixo horizontal é o valor que substitui o salário de 22,0 mil, de 22 a 120, e o eixo vertical é o valor da estimativa. A média sobe em linha reta com inclinação um oitavo, de 11,7125 a 23,9625, enquanto a mediana permanece constante em 10,5 e a média aparada a vinte por cento permanece constante em 10,8667. Figura 2: A influência da média sobre um único valor é ilimitada e linear; a da mediana é nula enquanto a ordem central não muda. Uma substituição em oito, fração $1/8$, já basta para levar a média a qualquer lugar.

Como a média, a mediana também admite uma versão ponderada. Pela convenção adotada aqui, a mediana ponderada é o primeiro valor ordenado cuja soma acumulada de pesos atinge ao menos metade do peso total. Ela pode ser robusta quando os pesos estão distribuídos, mas não herda automaticamente o ponto de ruptura da mediana não ponderada: se uma observação recebe peso $0{,}6$ em um total $1$, ela determina sozinha o resultado. O peso representa importância e, junto com ela, poder de influência.

Vale um fato que fecha o círculo entre as duas medidas de centro: qualquer mediana minimiza $\sum_i x_i-m $, enquanto a média é o único minimizador de $\sum_i(x_i-m)^2$. Para $n$ par, todo ponto entre os dois valores centrais minimiza a soma absoluta; tomar a média deles escolhe um representante desse intervalo. A inclinação por trechos do módulo depende do número de pontos de cada lado, não do tamanho de um desvio já distante, raiz matemática da robustez.

A Figura 3 desenha as duas funções objetivo sobre os nossos oito salários. Observe o patamar do painel da esquerda: ele é a razão pela qual a mediana de uma amostra par não é um número único, mas um intervalo do qual escolhemos um representante.

Dois painéis com o mesmo eixo horizontal m. No painel da esquerda, a soma dos desvios absolutos é uma função linear por trechos com um patamar plano entre 9,0 e 12,0, no valor mínimo 32,1, e a mediana 10,5 é o representante escolhido. No painel da direita, a soma dos desvios quadráticos é uma parábola com vértice único em 11,7125, a média, no valor mínimo 191,25. Figura 3: A soma dos módulos tem inclinação determinada por quantos pontos ficam de cada lado; a dos quadrados pesa o tamanho de cada desvio. Um valor distante muda tamanhos, não contagens, e por isso move apenas a média.

2.1 Exercícios da Seção 2

Exercício 1. Calcule a mediana de ${3, 8, 1, 9, 5}$ e de ${3, 8, 1, 9, 5, 7}$.

Resolução. No primeiro, ordenamos: $1, 3, 5, 8, 9$; com $n = 5$ (ímpar), a mediana é o terceiro valor, $5$. No segundo, ordenamos: $1, 3, 5, 7, 8, 9$; com $n = 6$ (par), a mediana é a média dos dois centrais, $(5+7)/2 = 6$.

Exercício 2. Substitua o maior salário da equipe, $22{,}0$, por $1\,000\,000$ e compare o efeito sobre a média e sobre a mediana.

Resolução. A nova soma é $93{,}7 - 22{,}0 + 1\,000\,000 = 1\,000\,071{,}7$, e a média vira $1\,000\,071{,}7/8 \approx 125\,008{,}96$ mil, disparada por um único valor. A mediana continua sendo a média dos dois centrais dos dados ordenados, $9{,}0$ e $12{,}0$, ou seja, $10{,}5$, exatamente como antes: o valor corrompido apenas foi para o fim da fila, sem tocar no meio.

Exercício 3. Calcule o ponto de ruptura de substituição finito da média e da mediana usual para $n=8$ e descreva seus limites quando $n$ cresce.

Resolução. Para a média, uma substituição basta: $1/8=0{,}125$, e em geral $1/n\to0$. Para a mediana definida como média dos dois centrais, quatro substituições para valores arbitrariamente altos tornam o quinto valor arbitrário e levam a mediana ao infinito: $4/8=0{,}5$. Para $n$ ímpar, a fração é $(n+1)/(2n)$ e tende a $0{,}5$. Assim, os limites são $0$ e $0{,}5$, mas o valor finito da média não é zero.

Exercício 4. Calcule a mediana ponderada de valores ${1, 2, 3, 4}$ com pesos ${0{,}1, 0{,}2, 0{,}3, 0{,}4}$.

Resolução. O peso total é $1{,}0$, e metade é $0{,}5$. Os acumulados são $0{,}1$, $0{,}3$, $0{,}6$ e $1{,}0$; o primeiro que atinge metade corresponde ao valor $3$. Logo, a mediana ponderada é $3$. O exemplo também expõe a cautela: se um único peso fosse $0{,}6$, seu valor determinaria sozinho a mediana ponderada.

Exercício 5. Mostre, por um argumento de deslocamento, que a mediana minimiza a soma dos desvios absolutos $\sum_i x_i - m $.

Resolução. Considere $m$ à esquerda do intervalo mediano. Deslocá-lo $\delta>0$ para a direita diminui a distância aos pontos à direita e aumenta a dos pontos à esquerda; como há mais pontos à direita, a soma cai. À direita do intervalo mediano, o argumento se inverte. Dentro do intervalo entre os dois centrais, quando $n$ é par, aumentos e reduções se compensam e a soma fica constante. Portanto qualquer ponto desse intervalo minimiza; para $n$ ímpar, o intervalo colapsa no valor central.

3. Estimativas de variabilidade

Saber onde está o centro é metade da história; a outra metade é saber o quanto os dados se afastam dele. Dois conjuntos podem ter a mesma média e comportamentos completamente diferentes: ${5, 5, 5}$ e ${0, 5, 10}$ têm média $5$, mas o primeiro é constante e o segundo é espalhado. A variabilidade, ou dispersão, é o que os distingue.

O ponto de partida é o desvio de cada observação em relação à média, $x_i - \bar{x}$. Poderíamos tentar resumir a dispersão pela média dos desvios, mas isso não funciona: a soma dos desvios em relação à média é sempre exatamente zero, porque a média é o ponto de equilíbrio, e os desvios positivos cancelam os negativos. Precisamos, portanto, eliminar os sinais antes de somar. A estatística resolve isso de duas maneiras, e cada uma gera uma medida.

A maneira dominante eleva os desvios ao quadrado. Para $n\ge2$, a variância amostral corrigida é

\[s^2 = \frac{1}{n-1}\sum_{i=0}^{n-1} (x_i - \bar{x})^2,\]

na qual $n$ é o tamanho da amostra e $\bar{x}$ a média amostral, e o desvio padrão amostral é a raiz quadrada dela, $s = \sqrt{s^2}$. O desvio padrão tem a mesma unidade dos dados, o que o torna interpretável: para os salários, $s \approx 5{,}23$ mil reais mede a dispersão típica em torno da média de $11{,}71$ mil.

O detalhe que costuma incomodar a estudante atenta é o divisor $n-1$. Os $n$ desvios somam zero, portanto apenas $n-1$ podem variar livremente; essa é a contagem de graus de liberdade. A contagem é boa memória e prova insuficiente. Sob observações IID com média $\mu$ e variância finita $\sigma^2$, vale

\[\sum_{i=0}^{n-1}(X_i-\bar{X})^2 =\sum_{i=0}^{n-1}(X_i-\mu)^2-n(\bar{X}-\mu)^2.\]

Tomando esperanças, o primeiro termo à direita vale $n\sigma^2$ e o segundo vale $n\operatorname{Var}(\bar{X})=\sigma^2$. Portanto,

\[\mathbb{E}\!\left[\sum_{i=0}^{n-1}(X_i-\bar{X})^2\right]=(n-1)\sigma^2.\]

Agora o divisor aparece por dedução: dividir por $n-1$ torna $s^2$ não viesado para $\sigma^2$. Dividir por $n$ continua sendo uma descrição legítima da dispersão dos valores observados e, sob normalidade, é o estimador de máxima verossimilhança; apenas não é não viesado para a variância populacional.

A diferença entre os dois divisores é concreta. Tome o conjunto clássico ${2, 4, 4, 4, 5, 5, 7, 9}$, de média $5$. Os desvios são $-3, -1, -1, -1, 0, 0, 2, 4$, e a soma de seus quadrados é $9 + 1 + 1 + 1 + 0 + 0 + 4 + 16 = 32$. A variância populacional (divisor $n = 8$) é $32/8 = 4$, com desvio padrão $\sigma = 2$; a variância amostral (divisor $n - 1 = 7$) é $32/7 \approx 4{,}571$, com $s \approx 2{,}138$. Para $n$ grande a distinção some, mas para amostras pequenas ela importa, e usar o divisor errado é um erro sutil que passa despercebido em muitos relatórios.

A segunda maneira de eliminar os sinais é tomar o valor absoluto em vez do quadrado. O desvio absoluto médio (mean absolute deviation) é

\[\text{DAM} = \frac{1}{n}\sum_{i=0}^{n-1} |x_i - \bar{x}|.\]

Para o mesmo conjunto clássico, os desvios absolutos são $3, 1, 1, 1, 0, 0, 2, 4$, cuja soma é $12$, e o desvio absoluto médio é $12/8 = 1{,}5$, menor que o desvio padrão populacional $2$. Isso não é coincidência: o quadrado do desvio padrão penaliza os desvios grandes mais do que proporcionalmente, então valores extremos inflam o desvio padrão mais do que inflam o desvio absoluto médio. Aqui reaparece a ideia da Seção 2: assim como a média, que minimiza desvios quadráticos, é menos robusta que a mediana, que minimiza desvios absolutos, o desvio padrão é menos robusto que as medidas baseadas em valores absolutos. Antes de construir essas alternativas, precisamos seguir os quadrados para outro papel: avaliar previsões.

3.1 Exercícios da Seção 3

Exercício 1. Calcule a variância e o desvio padrão amostrais de ${2, 4, 4, 4, 5, 5, 7, 9}$, e depois a versão populacional. Comente a diferença.

Resolução. A média é $40/8 = 5$. A soma dos quadrados dos desvios é $32$ (calculada no texto). A variância amostral é $s^2 = 32/7 \approx 4{,}571$, com $s \approx 2{,}138$; a populacional é $\sigma^2 = 32/8 = 4$, com $\sigma = 2$. A amostral é maior porque divide por um número menor ($7$ em vez de $8$), corrigindo o viés de subestimação. Qual usar depende de se os oito valores são uma amostra (use $n-1$) ou a população inteira (use $n$).

Exercício 2. Explique o papel dos graus de liberdade e complete-o com a igualdade de esperança que justifica o divisor $n-1$.

Resolução. Como os desvios somam zero, apenas $n-1$ são livres. Sob IID com variância $\sigma^2$, a identidade da seção implica $\mathbb{E}[\sum_i(X_i-\bar X)^2]=(n-1)\sigma^2$; dividir por $n-1$ produz esperança $\sigma^2$. A primeira frase conta restrições; a segunda prova o não viés.

Exercício 3. Mostre que somar uma constante $c$ a todos os dados não altera a variância, e que multiplicá-los por $c$ multiplica a variância por $c^2$.

Resolução. Se $y_i = x_i + c$, então $\bar{y} = \bar{x} + c$ e $y_i - \bar{y} = x_i - \bar{x}$; os desvios não mudam, logo a variância não muda. Se $y_i = c\,x_i$, então $\bar{y} = c\,\bar{x}$ e $y_i - \bar{y} = c(x_i - \bar{x})$; ao elevar ao quadrado, cada termo ganha um fator $c^2$, e a variância fica multiplicada por $c^2$ (o desvio padrão, por $ c $). É por isso que trocar a unidade dos salários de milhares para reais multiplicaria o desvio padrão por mil, mas não mudaria a forma da dispersão.

Exercício 4. Calcule o desvio absoluto médio de ${2, 4, 4, 4, 5, 5, 7, 9}$ e compare-o com o desvio padrão populacional.

Resolução. Os desvios absolutos em relação à média $5$ são $3, 1, 1, 1, 0, 0, 2, 4$, com soma $12$; o desvio absoluto médio é $12/8 = 1{,}5$. O desvio padrão populacional é $2$. Temos DAM $= 1{,}5 < 2 = \sigma$: o desvio padrão é maior porque o quadrado amplifica os desvios grandes (o $4$ contribui com $16$ para a soma dos quadrados, mas só com $4$ para a soma dos absolutos).

Exercício 5. Mostre que a soma dos desvios em relação à média é sempre zero.

Resolução. $\sum_i (x_i - \bar{x}) = \sum_i x_i - n\bar{x} = \sum_i x_i - n\cdot\frac{1}{n}\sum_i x_i = \sum_i x_i - \sum_i x_i = 0$. É por essa identidade que a média dos desvios não serve como medida de dispersão, e que precisamos de quadrados ou de valores absolutos.

4. MSE: do desvio à função de perda

Até aqui partimos de uma sequência $x_0,\ldots,x_{n-1}$ e medimos o quanto ela se espalha em torno de um centro. Uma tarefa de previsão entrega dois valores por caso: o observado $y_i$ e a previsão $\hat{y}_i$. Definimos o resíduo, ou erro de previsão, como

\[e_i=y_i-\hat{y}_i.\]

O MSE, de mean squared error (erro quadrático médio), eleva cada resíduo ao quadrado e tira a média dos resultados:

\[\operatorname{MSE}_n =\frac{1}{n}\sum_{i=0}^{n-1}(y_i-\hat{y}_i)^2 =\frac{1}{n}\sum_{i=0}^{n-1}e_i^2.\]

Um erro quadrático $e_i^2$ avalia um caso. O MSE avalia os $n$ casos como um conjunto. Ele é não negativo e vale zero somente quando toda previsão coincide com o valor observado. Como o quadrado apaga o sinal, subestimar por $3$ e superestimar por $3$ custam ambos $9$. Como o quadrado cresce mais depressa que o módulo, errar por $6$ custa quatro vezes mais que errar por $3$, não duas vezes mais.

Há três nomes parecidos que não devemos misturar. A soma dos quadrados dos erros, que abreviaremos por SQE, é $\sum_i e_i^2$. O MSE divide a SQE por $n$. A raiz do erro quadrático médio, RMSE, de root mean squared error, devolve a escala original:

\[\operatorname{RMSE}=\sqrt{\operatorname{MSE}}.\]

Se $y$ mede salários em milhares de reais, a SQE e o MSE têm unidade de milhares de reais ao quadrado; o RMSE volta a milhares de reais. Essa volta de unidade ajuda a comunicar magnitude, mas não muda a ordenação dos modelos: a raiz quadrada é crescente, portanto o menor MSE também produz o menor RMSE.

4.1 A média é a melhor previsão constante

Suponha que precisemos prever o mesmo número $a$ para todas as observações $x_i$. A dívida média dessa previsão admite a decomposição

\[\frac{1}{n}\sum_{i=0}^{n-1}(x_i-a)^2 = \frac{1}{n}\sum_{i=0}^{n-1}(x_i-\bar{x})^2 +(a-\bar{x})^2.\]

Para deduzi-la, escrevemos $x_i-a=(x_i-\bar{x})+(\bar{x}-a)$, expandimos o quadrado e usamos $\sum_i(x_i-\bar{x})=0$ para eliminar o termo cruzado. O primeiro termo não depende de $a$; o segundo é não negativo e zera apenas em $a=\bar{x}$. A média é, portanto, a única previsão constante que minimiza o MSE.

A Figura 3 já desenhou essa conclusão. O painel quadrático mostra a SQE, que é exatamente $n$ vezes o MSE. Dividir a altura da parábola por $n$ altera os valores do eixo vertical, mas não move seu vértice. Para os oito salários, a SQE mínima é $191{,}24875$, o MSE mínimo é

\[\frac{191{,}24875}{8}=23{,}90609375,\]

e o RMSE é $\sqrt{23{,}90609375}\approx4{,}8894$ mil reais. Se usarmos a mediana $a=10{,}5$ como previsão constante, o MSE sobe para $25{,}37625$. A diferença, $1{,}47015625$, é exatamente $(10{,}5-11{,}7125)^2$, como a decomposição prometeu.

Esse cálculo também separa MSE de variância amostral. Quando a previsão constante é $\bar{x}$, o MSE divide a soma dos desvios quadráticos por $n$ e coincide com a variância descritiva dos valores observados. Já a variância amostral corrigida da Seção 3 divide a mesma soma por $n-1$ para estimar sem viés a variância populacional. Nos salários, temos $23{,}90609375$ para o MSE em torno da média e $27{,}32125$ para $s^2$. Trocar mecanicamente um divisor pelo outro muda a pergunta.

Na regressão acontece algo análogo. O MSE de treino continua sendo $\operatorname{SQE}/n$, pois resume o erro observado. Se estimamos $p$ parâmetros e queremos estimar a variância $\sigma^2$ do ruído sob as hipóteses do modelo linear, usamos $\operatorname{SQE}/(n-p)$. Um denominador avalia previsões; o outro corrige graus de liberdade para estimar um parâmetro.

4.2 Do MSE observado ao risco esperado

O MSE calculado em uma amostra é uma média empírica. Para uma regra de previsão $f$, sejam $X$ as características de um novo caso e $Y$ sua resposta. Chamaremos de $R(f)$ o risco quadrático esperado, isto é, a média populacional da perda quadrática dessa regra:

\[R(f)=\mathbb{E}\!\left[(Y-f(X))^2\right],\]

Fixado $X=x$, a mesma decomposição da seção anterior produz

\[\mathbb{E}\!\left[(Y-a)^2\mid X=x\right] = \operatorname{Var}(Y\mid X=x) +\left(\mathbb{E}[Y\mid X=x]-a\right)^2.\]

O primeiro termo é a incerteza que resta mesmo depois de conhecermos $x$. O segundo cobra a distância entre a previsão $a$ e a média condicional. Assim, a previsão pontual que minimiza o risco quadrático é

\[f^*(x)=\mathbb{E}[Y\mid X=x].\]

Esse contrato merece atenção. O MSE não procura o valor mais frequente nem garante uma saída possível quando há vários futuros. Ele procura a média condicional. Para ${0,0,0,8}$ com probabilidades iguais, a média é $2$ e seu MSE é $12$; prever a mediana $0$ produz MSE $16$. O valor $2$ nunca foi observado, mas ainda é a decisão ótima sob perda quadrática.

O modelo normal fornece outra justificativa para a presença constante dos quadrados. Representaremos por $\varepsilon$ o erro aleatório e por $N(0,\sigma^2)$ uma distribuição normal de média zero e variância fixa $\sigma^2$. Se $Y=f(X)+\varepsilon$ e $\varepsilon\sim N(0,\sigma^2)$, a log-verossimilhança negativa de cada observação é, a menos de uma constante,

\[\frac{(y_i-f(x_i))^2}{2\sigma^2}.\]

Maximizar a verossimilhança equivale, nesse modelo, a minimizar SQE ou MSE. A equivalência depende da hipótese gaussiana com variância comum; ela não transforma o MSE em escolha universal para qualquer distribuição ou objetivo.

Há ainda uma separação operacional. O MSE de treino usa os mesmos casos que ajustaram $f$ e pode cair apenas porque o modelo memorizou peculiaridades da amostra. Para estimar desempenho preditivo, calculamos o MSE em casos de validação ou teste que não participaram do ajuste. Em um ponto $x$, denotaremos por $\hat f(x)$ a previsão do modelo ajustado em uma amostra de treino e por $f^*(x)$ a previsão populacional ótima. Se repetíssemos o treinamento em muitas amostras, o MSE esperado de teste se decomporia em

\[\mathbb{E}\!\left[(Y-\hat{f}(x))^2\right] = \underbrace{\operatorname{Var}(Y\mid X=x)}_{\text{ruído irredutível}} +\underbrace{\left(\mathbb{E}[\hat{f}(x)]-f^*(x)\right)^2}_{\text{viés ao quadrado}} +\underbrace{\operatorname{Var}(\hat{f}(x))}_{\text{variância do ajuste}}.\]

Um método rígido pode ter viés alto; um método excessivamente sensível à amostra pode ter variância alta. Nenhum deles vence apenas por exibir MSE de treino pequeno.

4.3 O que a média dos quadrados esconde

O MSE comprime $n$ resíduos em um escalar. Essa compressão descarta o sinal, a ordem e a localização dos erros. A Figura 4 mostra dois conjuntos com os mesmos oito resíduos em módulo. À esquerda, os sinais aparecem em ordem irregular; à direita, quatro erros negativos são seguidos por quatro positivos, uma mudança de regime que pede investigação. Em ambos os casos cada quadrado vale $4$, logo o MSE vale $4$.

Dois gráficos de resíduos com oito observações e MSE igual a 4. No painel esquerdo, resíduos de menos 2 e mais 2 alternam em ordem irregular em torno de zero. No painel direito, os quatro primeiros resíduos valem menos 2 e os quatro últimos valem mais 2, formando uma mudança de regime que o mesmo MSE não revela. Figura 4: O MSE igual a $4$ certifica a mesma magnitude quadrática nos dois painéis, mas só o gráfico revela a mudança persistente de sinal. Um escalar mede tamanho; não diagnostica estrutura.

Essa perda de estrutura explica por que o MSE deve acompanhar gráficos de resíduos e métricas ligadas ao objetivo. Também explica sua fragilidade a outliers: um único resíduo de magnitude $10$ contribui com $100$, tanto quanto cem resíduos de magnitude $1$. Quando erros grandes representam falhas raras que precisam dominar a decisão, essa ênfase pode ser desejada. Quando representam contaminação ou quando o custo real cresce aproximadamente em linha reta, uma perda absoluta ou uma técnica robusta pode responder melhor.

MSE também depende da escala. Multiplicar alvo e previsão por $c$ multiplica o MSE por $c^2$ e o RMSE por $ c $. Por isso não comparamos diretamente o MSE de salários em reais com o MSE de idades em anos, nem o de duas séries em escalas incompatíveis. Normalização, pesos e métricas sem escala precisam ser escolhidos conforme o problema, não para produzir números menores.

Para vetores, imagens e lotes, o denominador precisa declarar a unidade de contagem. Se $n$ observações possuem $D$ coordenadas cada, o MSE por coordenada é

\[\operatorname{MSE}_{\text{coord}} =\frac{1}{nD}\sum_{i=0}^{n-1}\sum_{j=0}^{D-1} (y_{ij}-\hat{y}_{ij})^2.\]

Já $\frac{1}{n}\sum_i\lVert y_i-\hat{y}_i\rVert_2^2$ mede erro quadrático médio por observação e vale $D$ vezes o MSE por coordenada. Nenhuma convenção é intrinsecamente errada, mas omitir o denominador torna valores incomparáveis. No artigo sobre autoencoders e reconstrução, uma única entrada tem $D$ coordenadas e a perda divide por $D$; sobre um lote de $n$ entradas, a média completa divide por $nD$.

4.4 Exercícios da Seção 4

Exercício 1. Recalcule SQE, MSE e RMSE ao prever todos os oito salários pela média $11{,}7125$. Diga a unidade de cada resultado.

Resolução. A SQE é $191{,}24875$ em milhares de reais ao quadrado. O MSE é $191{,}24875/8=23{,}90609375$ na mesma unidade quadrática. O RMSE é $\sqrt{23{,}90609375}\approx4{,}8894$ mil reais, já na unidade original. Se os salários fossem expressos em reais, SQE e MSE seriam multiplicados por $10^6$ e o RMSE, por $10^3$.

Exercício 2. Para os valores equiprováveis ${0,0,0,8}$, calcule o MSE das previsões constantes $a=0$, $a=2$ e $a=8$.

Resolução. Para $a=0$, a soma dos quadrados é $64$ e o MSE é $16$. Para $a=2$, os quadrados são $4,4,4,36$, somam $48$ e produzem MSE $12$. Para $a=8$, os quadrados são $64,64,64,0$, somam $192$ e produzem MSE $48$. A média $2$ vence, embora não pertença ao conjunto observado.

Exercício 3. Demonstre a identidade $\frac1n\sum_i(x_i-a)^2=\frac1n\sum_i(x_i-\bar{x})^2+(a-\bar{x})^2$.

Resolução. Substitua $x_i-a=(x_i-\bar{x})+(\bar{x}-a)$ e expanda. A média dos termos $(x_i-\bar{x})^2$ permanece; o quadrado $(\bar{x}-a)^2$ aparece $n$ vezes e, depois da divisão por $n$, aparece uma vez; o termo cruzado é proporcional a $\sum_i(x_i-\bar{x})=0$. Resta exatamente a identidade desejada.

Exercício 4. Considere duas observações bidimensionais, $y_0=(1,4)$ e $y_1=(0,2)$, com previsões $\hat{y}_0=(3,3)$ e $\hat{y}_1=(0,4)$. Calcule o MSE por coordenada e o erro quadrático médio por observação.

Resolução. Os quatro erros quadráticos são $4,1,0,4$, com soma $9$. O MSE por coordenada divide por $nD=2\cdot2=4$ e vale $9/4=2{,}25$. O erro quadrático médio por observação divide por $n=2$ e vale $9/2=4{,}5$, exatamente $D=2$ vezes o primeiro.

Exercício 5. As duas sequências da Figura 4 possuem MSE $4$ e média residual zero. Por que o painel direito ainda é preocupante?

Resolução. Porque os sinais não estão distribuídos ao acaso ao longo da ordem: o modelo superestima sistematicamente os quatro primeiros casos e subestima os quatro últimos, ou vice-versa conforme a convenção do resíduo. O cancelamento da média e a igualdade dos quadrados escondem uma mudança de regime. Um gráfico de resíduos, a ordem temporal e o conhecimento do processo são necessários para encontrá-la.

5. Medidas robustas e relativas de dispersão

Assim como a média tem na mediana uma alternativa robusta, o desvio padrão tem alternativas que resistem a outliers. A mais simples e extremamente frágil é a amplitude (range), a diferença entre máximo e mínimo. Para os salários, vale $22{,}0-6{,}5=15{,}5$ mil. Uma única substituição pode enviar o máximo ao infinito, portanto seu ponto de ruptura finito é $1/n$, como o da média. Máximo e mínimo são extremos por posição; não precisam ser outliers no sentido do boxplot.

A alternativa robusta padrão é a amplitude interquartílica (interquartile range, IQR), $\text{IQR}=Q_3-Q_1$. Quartis amostrais dependem de convenção; usaremos a interpolação linear do NumPy. Para os salários, $Q_1=7{,}925$, $Q_3=13{,}925$ e o IQR vale $6{,}0$ mil. O IQR concentra-se na metade central e possui resistência assintótica próxima de $25\%$ sob convenções usuais, mas não “ignora” mecanicamente um quarto de cada lado: em amostras pequenas, a interpolação pode usar observações próximas dos extremos, e uma alteração isolada pode ou não mudar o resultado.

Uma terceira medida robusta é o desvio absoluto mediano (median absolute deviation), a mediana dos desvios absolutos em relação à mediana. Para os salários, seu valor bruto é $3{,}15$. Sob uma normal, o MAD populacional vale $\Phi^{-1}(0{,}75)\sigma\approx0{,}67449\sigma$; por isso o fator $1/\Phi^{-1}(0{,}75)\approx1{,}4826$ torna o estimador consistente para $\sigma$ quando $n$ cresce. Não é uma correção exata de pequena amostra. Aqui o valor escalado é aproximadamente $4{,}67$ mil.

As três medidas anteriores têm a mesma unidade dos dados, o que impede comparar dispersões entre variáveis de escalas diferentes. Para isso existe o coeficiente de variação (CV), uma medida relativa que divide o desvio padrão pela média:

\[\text{CV} = \frac{s}{\bar{x}}.\]

Por ser um quociente de quantidades na mesma unidade, o CV é adimensional e costuma ser expresso em porcentagem. Para os salários, $\text{CV}=5{,}23/11{,}71\approx0{,}446$, ou $44{,}6\%$: neste conjunto, o desvio padrão equivale a quase metade da média, sem que exista um limiar universal que transforme isso automaticamente em “alto”. O CV compara dispersão relativa apenas em escalas de razão, com zero significativo, média positiva e afastada de zero. Temperatura em Celsius não admite essa leitura; salários e durações positivas admitem.

5.1 Exercícios da Seção 5

Exercício 1. Calcule a amplitude e o IQR dos salários da equipe.

Resolução. A amplitude é $22{,}0 - 6{,}5 = 15{,}5$. O IQR, com $Q_1 = 7{,}925$ e $Q_3 = 13{,}925$ (calculados no texto por interpolação linear), é $13{,}925 - 7{,}925 = 6{,}0$. A amplitude é mais que o dobro do IQR justamente porque incorpora o salário extremo de $22{,}0$, que o IQR descarta.

Exercício 2. Calcule o desvio absoluto mediano dos salários e multiplique-o por $1{,}4826$.

Resolução. A mediana é $10{,}5$. Os desvios absolutos $ x_i - 10{,}5 $ são $4{,}0, 3{,}4, 2{,}3, 1{,}5, 1{,}5, 2{,}9, 5{,}0, 11{,}5$; ordenados, sua mediana é a média dos dois centrais, $(2{,}9 + 3{,}4)/2 = 3{,}15$. Multiplicando por $1{,}4826$, obtemos $\approx 4{,}67$, uma estimativa robusta da dispersão comparável ao desvio padrão, porém menos sensível ao salário de $22{,}0$.

Exercício 3. Duas amostras: $A = {100, 102, 98, 101, 99}$ e $B = {10, 12, 8, 11, 9}$. Calcule o coeficiente de variação de cada uma e diga qual é relativamente mais dispersa.

Resolução. Ambas têm o mesmo desvio padrão amostral, $s \approx 1{,}581$, pois têm o mesmo padrão de desvios. Mas a média de $A$ é $100$ e a de $B$ é $10$. Assim, $\text{CV}_A = 1{,}581/100 \approx 0{,}0158$ ($1{,}58\%$) e $\text{CV}_B = 1{,}581/10 \approx 0{,}1581$ ($15{,}81\%$). Relativamente ao seu tamanho, $B$ é dez vezes mais dispersa que $A$, embora tenham a mesma dispersão absoluta.

Exercício 4. Explique por que é melhor dizer que o IQR resiste a contaminação do que dizer que ele “ignora exatamente $25\%$ de cada lado”.

Resolução. O IQR usa quartis, mas quartis amostrais dependem de método e podem interpolar observações próximas das caudas. Com os oito salários, mudar apenas $22$ para $80$ não altera os quartis lineares; com quatro valores, $Q_3$ linear usa parcialmente o máximo e pode mudar. A resistência é real e se aproxima de $25\%$ assintoticamente, mas não é uma regra mecânica de descarte em toda amostra.

Exercício 5. Compare a sensibilidade da amplitude, do IQR e do desvio padrão a um único outlier, substituindo $22{,}0$ por $80{,}0$ nos salários.

Resolução. A amplitude passa de $15{,}5$ para $80{,}0 - 6{,}5 = 73{,}5$, quase quintuplicando: reage ao máximo. O desvio padrão amostral cresce muito, pois o desvio $(80 - \bar{x})^2$ é enorme e ainda é elevado ao quadrado. O IQR, porém, permanece $6{,}0$: o valor $80{,}0$ continua sendo o maior, acima de $Q_3$, e os quartis dependem só do miolo, que não mudou. A ordenação da robustez é clara: IQR resiste, desvio padrão cede, amplitude cede por completo.

6. Localização, dispersão e MSE em C++

Reunimos agora as medidas em um programa didático de referência para CPU. A função resumo recebe uma visão não proprietária dos salários, valida os contratos e calcula média, mediana, média aparada, desvio padrão amostral, amplitude, IQR, MAD escalado e coeficiente de variação. A função erro_quadratico_medio recebe observações e previsões separadamente, pois MSE compara duas sequências. Os quartis usam o método linear do numpy.percentile. Compile com g++ -std=c++23 -O2 -Wall -Wextra -Wconversion -Wshadow -pedantic dispersao.cpp -o dispersao.

#include <algorithm>
#include <cmath>
#include <cstddef>
#include <iomanip>
#include <iostream>
#include <numeric>
#include <span>
#include <stdexcept>
#include <vector>

double media(std::span<const double> x) {
    if (x.empty()) {
        throw std::invalid_argument("a média exige dados");
    }
    return std::accumulate(x.begin(), x.end(), 0.0) /
           static_cast<double>(x.size());
}

double erro_quadratico_medio(
    std::span<const double> observado,
    std::span<const double> previsto) {
    if (observado.empty() || observado.size() != previsto.size()) {
        throw std::invalid_argument(
            "MSE exige sequências não vazias de mesmo tamanho");
    }
    double soma_quadrados = 0.0;
    for (std::size_t i = 0; i < observado.size(); ++i) {
        const double erro = observado[i] - previsto[i];
        soma_quadrados += erro * erro;
    }
    return soma_quadrados / static_cast<double>(observado.size());
}

double percentil_ordenado(std::span<const double> x, double p) {
    if (x.empty() || p < 0.0 || p > 100.0 || !std::ranges::is_sorted(x)) {
        throw std::invalid_argument("percentil exige dados ordenados e p em [0,100]");
    }
    const double pos = (p / 100.0) * static_cast<double>(x.size() - 1);
    const auto inferior = static_cast<std::size_t>(pos);
    const double fracao = pos - static_cast<double>(inferior);
    if (inferior + 1 >= x.size()) {
        return x[inferior];
    }
    return x[inferior] + fracao * (x[inferior + 1] - x[inferior]);
}

double desvio_padrao(std::span<const double> x) {
    if (x.size() < 2) {
        throw std::invalid_argument("o desvio amostral exige n >= 2");
    }
    const double m = media(x);
    double soma_quadrados = 0.0;
    for (const double valor : x) {
        const double desvio = valor - m;
        soma_quadrados += desvio * desvio;
    }
    return std::sqrt(soma_quadrados / static_cast<double>(x.size() - 1));
}

double media_aparada(std::span<const double> x, double alpha) {
    if (x.empty() || alpha < 0.0 || alpha >= 0.5) {
        throw std::invalid_argument("alpha deve pertencer a [0,0.5)");
    }
    std::vector<double> ordenados(x.begin(), x.end());
    std::ranges::sort(ordenados);
    const auto corte = static_cast<std::size_t>(
        std::floor(alpha * static_cast<double>(ordenados.size())));
    if (2 * corte >= ordenados.size()) {
        throw std::invalid_argument("a apara removeu todos os valores");
    }
    const double soma = std::accumulate(
        ordenados.begin() + static_cast<std::ptrdiff_t>(corte),
        ordenados.end() - static_cast<std::ptrdiff_t>(corte), 0.0);
    return soma / static_cast<double>(ordenados.size() - 2 * corte);
}

double mad_bruto(std::span<const double> ordenados, double mediana) {
    std::vector<double> desvios;
    desvios.reserve(ordenados.size());
    for (const double valor : ordenados) {
        desvios.push_back(std::abs(valor - mediana));
    }
    std::ranges::sort(desvios);
    return percentil_ordenado(desvios, 50.0);
}

struct Resumo {
    double media;
    double mediana;
    double media_aparada;
    double desvio_padrao;
    double amplitude;
    double iqr;
    double mad_escalado;
    double cv;
};

Resumo resumo(std::span<const double> x) {
    if (x.size() < 2) {
        throw std::invalid_argument("o resumo exige ao menos duas observações");
    }
    std::vector<double> ordenados(x.begin(), x.end());
    std::ranges::sort(ordenados);
    const double m = media(x);
    if (m == 0.0) {
        throw std::domain_error("CV indefinido para média zero");
    }
    const double med = percentil_ordenado(ordenados, 50.0);
    const double q1 = percentil_ordenado(ordenados, 25.0);
    const double q3 = percentil_ordenado(ordenados, 75.0);
    constexpr double fator_mad_normal = 1.482602218505602;
    const double s = desvio_padrao(x);
    return {
        m,
        med,
        media_aparada(x, 0.20),
        s,
        ordenados.back() - ordenados.front(),
        q3 - q1,
        fator_mad_normal * mad_bruto(ordenados, med),
        s / m
    };
}

int main() {
    const std::vector<double> salarios =
        {6.5, 9.0, 12.0, 15.5, 8.2, 22.0, 7.1, 13.4};
    const Resumo r = resumo(salarios);
    const std::vector<double> previsao_media(salarios.size(), r.media);

    std::cout << std::fixed << std::setprecision(4);
    std::cout << "media        = " << r.media << '\n';
    std::cout << "mediana      = " << r.mediana << '\n';
    std::cout << "media aparada= " << r.media_aparada << '\n';
    std::cout << "desvio padrao= " << r.desvio_padrao << '\n';
    std::cout << "amplitude    = " << r.amplitude << '\n';
    std::cout << "IQR          = " << r.iqr << '\n';
    std::cout << "MAD escalado = " << r.mad_escalado << '\n';
    std::cout << "CV           = " << r.cv << '\n';
    std::cout << "MSE(media)   = "
              << erro_quadratico_medio(salarios, previsao_media) << '\n';
}

A saída é

media        = 11.7125
mediana      = 10.5000
media aparada= 10.8667
desvio padrao= 5.2270
amplitude    = 15.5000
IQR          = 6.0000
MAD escalado = 4.6702
CV           = 0.4463
MSE(media)   = 23.9061

exatamente os números que deduzimos à mão. No Colab, pd.Series(salarios).describe() cobre a maior parte; scipy.stats.trim_mean(salarios, 0.2) fornece a média aparada, scipy.stats.median_abs_deviation(salarios, scale="normal") fornece o MAD escalado e s/media fornece o CV. O método de percentil deve permanecer explícito para que outra convenção não altere silenciosamente os quartis.

6.1 Exercícios da Seção 6

Exercício 1. Explique por que percentil_ordenado verifica ordenação em vez de ordenar silenciosamente.

Resolução. A função recebe uma visão e promete não possuir nem modificar os dados. Ordenar exigiria cópia ou mutação; a verificação torna o contrato observável. A função resumo escolhe copiar e ordenar uma vez, depois reutiliza a ordem para vários quantis.

Exercício 2. Quais entradas são recusadas por desvio_padrao e media_aparada, e por quê?

Resolução. O desvio amostral recusa $n<2$, pois o divisor $n-1$ seria zero ou sem sentido. A média aparada recusa dados vazios, $\alpha<0$, $\alpha\ge0{,}5$ e qualquer corte que remova tudo. Cada recusa corresponde a um domínio matemático, não a preferência do programa.

Exercício 3. Por que Resumo contém valores, não referências ou spans?

Resolução. O resumo é pequeno e deve sobreviver às cópias temporárias usadas no cálculo. Guardar referências aos vetores locais de resumo criaria objetos pendentes ao retornar. Oito double tornam a cópia simples e segura.

Exercício 4. Calcule o que aconteceria ao CV dos dados {-1,1} e relacione com a exceção do programa.

Resolução. A média é zero e o desvio padrão é positivo, portanto $s/\bar{x}$ exigiria divisão por zero. O programa lança domain_error. Mais profundamente, os dados atravessam zero e não estão em uma escala de razão positiva adequada ao CV.

Exercício 5. A função de variância usa duas passagens: uma para a média e outra para quadrados. Que vantagem didática e que limite numérico isso traz?

Resolução. A forma reproduz diretamente a definição e é mais estável que calcular E[X²]-E[X]² em dados próximos. Ainda pode perder precisão ao somar muitos valores ou transbordar com magnitudes enormes; uma implementação de produção pode usar soma compensada ou Welford, validada contra esta referência.

7. Um laboratório para localização e dispersão

A robustez é um conceito que se entende de verdade quando se vê acontecer. O laboratório abaixo separa duas intervenções: adicionar uma nona observação e substituir o maior salário. A primeira muda o tamanho da amostra; a segunda corresponde ao ponto de ruptura definido na Seção 2. Média, mediana, média aparada, desvio padrão e IQR aparecem com a variação em relação aos oito salários originais. Leve o controle ao máximo e compare quais medidas acompanham a contaminação e quais mudam pouco — sem exigir que o IQR fique numericamente imóvel em toda convenção e tamanho.

O que o laboratório ensina é uma escolha condicionada. Sob dados aproximadamente normais e sem contaminação, média e desvio padrão aproveitam bem todas as observações. Sob caudas pesadas, erros ou valores genuinamente extremos, mediana, IQR e MAD podem descrever melhor o centro e a escala pretendidos. A decisão depende do estimando e do modelo, não de uma superioridade universal.

7.1 Exercícios da Seção 7

Exercício 1. No modo “substituir”, leve $22$ para $1\,000\,000$. Quais medidas devem permanecer finitas e próximas da base?

Resolução. Mediana e quartis permanecem determinados pelos valores centrais; o IQR e a média aparada mudam pouco ou nada conforme o corte. Média, desvio padrão e amplitude crescem com o valor substituto. O experimento usa uma substituição em oito, fração $1/8$.

Exercício 2. Por que adicionar $120$ e substituir $22$ por $120$ não são o mesmo experimento?

Resolução. Adicionar muda $n$ de $8$ para $9$, todas as posições percentuais e a fração efetivamente aparada. Substituir mantém $n=8$ e altera um dado. Os dois medem sensibilidades diferentes; apenas o segundo coincide com a definição de ruptura usada no texto.

Exercício 3. No modo “adicionar”, insira $10{,}5$. O novo valor é um outlier? O que acontece com a mediana?

Resolução. $10{,}5$ fica no centro, não na cauda. Com nove valores, ele ocupa a posição central e a mediana continua $10{,}5$. O rótulo “valor controlado” é mais correto que chamar todo valor inserido de outlier.

Exercício 4. Compare o delta da média e da mediana quando o valor controlado passa de $40$ para $120$. Qual relação espera?

Resolução. A média cresce linearmente com o valor extremo, com inclinação $1/n$ no modo de substituição ou adição. Enquanto a ordem central não muda, a mediana tem delta zero. Esse contraste é a influência não limitada da média contra a influência local da mediana.

Exercício 5. Proponha um estado que faria o CV enganar e explique como o laboratório deveria tratá-lo.

Resolução. Valores positivos e negativos quase cancelados podem produzir média próxima de zero e CV enorme. O laboratório deveria mostrar uma mensagem de domínio — “CV não interpretável nesta escala/média” — em vez de apresentar o quociente como dispersão relativa válida.

8. Conclusão

Este artigo respondeu às duas primeiras perguntas da estatística descritiva com mais de uma resposta cada, e essa multiplicidade foi o ponto. Para o centro, temos a média, eficiente sob modelos como o normal mas frágil a contaminação, e a mediana, robusta por minimizar desvios absolutos, com a média aparada e versões ponderadas entre elas. Para a dispersão, deduzimos por que $n-1$ torna a variância não viesada sob IID, construímos IQR e MAD como alternativas robustas e restringimos o coeficiente de variação às escalas de razão em que ele é interpretável.

Ao passar de uma sequência para pares de observação e previsão, construímos o MSE. A mesma soma de quadrados tornou-se função de perda empírica; sua esperança definiu risco; sua decomposição escolheu a média condicional e separou ruído, viés e variância. Também fixamos as fronteiras: MSE não é variância amostral, RMSE muda a unidade mas não o modelo vencedor, e nenhum escalar revela sozinho sinal, ordem ou estrutura dos resíduos.

O fio que costura todas essas medidas é a robustez, e a lição a levar adiante é que a escolha entre uma medida clássica e sua contraparte robusta é uma decisão consciente sobre o quanto se confia na ausência de valores extremos. Duas medidas, porém, ainda não descrevem uma distribuição inteira: dois conjuntos com a mesma média e o mesmo desvio padrão podem ter formas radicalmente distintas. O próximo artigo vai além dos números e mostra como enxergar a forma completa dos dados, com percentis, boxplots e histogramas, transformando oito salários em uma figura que conta sua história de uma só vez.

Acrônimos e Abreviações neste artigo

A seguir está a lista de todos os acrônimos e abreviações identificados no texto, organizados em ordem alfabética com o termo original em inglês e a tradução para o português:

Acrônimo / Abreviação Definição em Inglês Tradução em Português
BLAS Basic Linear Algebra Subprograms Subprogramas Básicos de Álgebra Linear
CPU / CPUs Central Processing Unit Unidade Central de Processamento
FLOPs Floating Point Operations Operações de Ponto Flutuante
FP32 32-bit Floating Point Ponto Flutuante de 32 bits
GEMM General Matrix Multiply Multiplicação Geral de Matrizes
GPU Graphics Processing Unit Unidade de Processamento Gráfico
IA Artificial Intelligence Inteligência Artificial
I-JEPA Image Joint-Embedding Predictive Architecture Arquitetura Preditiva de Incorporação Conjunta de Imagem
JEPA Joint-Embedding Predictive Architecture Arquitetura Preditiva de Incorporação Conjunta
KiB Kibibyte Kibibyte
MAE Masked Autoencoder Autocodificador Mascarado
MSE Mean Squared Error Erro Quadrático Médio
MSVC Microsoft Visual C++ Microsoft Visual C++
PCA Principal Component Analysis Análise de Componentes Principais
RMSE Root Mean Squared Error Raiz do Erro Quadrático Médio
SimCLR Simple Framework for Contrastive Learning of Visual Representations Estrutura Simples para Aprendizado Contrastivo de Representações Visuais
SIMD Single Instruction, Multiple Data Instrução Única, Múltiplos Dados
SQE Sum of Squared Errors Soma dos Quadrados dos Erros

Referências

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Índice da Série: Estatística Orientada à Ciência de Dados

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