Frank de Alcantara
Frank de Alcantara
Pai, marido, professor e engenheiro.
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Os Empregos Vão desaparecer, ou quase

Os Empregos Vão desaparecer, ou quase

Há alguns dias eu publiquei um post no linkedin sobre a necessidade avisar as pessoas sobre o impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho. Se estiver interessado, está aqui.

Um dos meus alunos, uns dos poucos que tem acesso livre ao meu tempo livre, me mandou uma mensagem preocupado com o futuro do trabalho. Ele disse que está difícil encontrar informações confiáveis sobre o impacto da IA no mercado de trabalho, e que a maioria das fontes parecem contraditórias.

Isso é verdade, e preocupante, porque a confusão dificulta que as pessoas se preparem para o futuro.

Eu leio centenas, talvez milhares de posts no X, Reddit, LinkedIn, e artigos acadêmicos sobre o tema. Tenho acompanhado de perto a evolução das pesquisas e análises sobre o impacto da IA no mercado de trabalho ao longo de 2024 e 2025. O que dá muito trabalho, custa muito tempo e exige muita atenção.

Se eu soubesse prever o futuro, eu ganharia na mega sena e não estaria prestando consultoria, e lecionado. Estaria na praia, tomando uma cerveja gelada e brincando com tecnologia. Porém, podemos ver uma tendência apenas usando o Google.

2024 até meados de 2025

O consenso dominante era “AI não está tendo impacto relevante no mercado de trabalho ainda” / “não há evidência de deslocamento em massa” / “a catástrofe de empregos não aconteceu”.

Alguns exemplos fortes, sem usar nenhum usuário de X, Reddit, LinkedIn, etc:

  • Brookings Institution (outubro 2025, mas analisando dados até então): “New data show no AI jobs apocalypse — for now”.
    → https://www.brookings.edu/articles/new-data-show-no-ai-jobs-apocalypse-for-now/

  • Yale Budget Lab (setembro 2025): “measures of exposure, automation, and augmentation show no sign of being related to changes in employment or unemployment”.
    → https://budgetlab.yale.edu/research/evaluating-impact-ai-labor-market-current-state-affairs#:~:text=Currently%2C%20measures%20of%20exposure%2C%20automation%2C%20and%20augmentation%20show,the%20impact%20of%20AI%20on%20the%20labor%20market.

  • Dallas Fed (junho 2025): “Will AI replace your job? Perhaps not in the next decade”.
    → https://www.dallasfed.org/research/economics/2025/0624

  • Até o BLS (Bureau of Labor Statistics) em fevereiro/março 2025 ainda tratava o impacto da IA como algo moderado e gradual nas projeções 2023–33.
    → https://www.bls.gov/opub/mlr/2024/article/incorporating-ai-impacts-in-bls-employment-projections.htm

Ou seja, até outubro/novembro 2025 ainda era “calma, não está acontecendo nada dramático. Seus empregos estão seguros.”

Alguns pessimistas, como eu, alertavam que isso poderia mudar rapidamente, mas não havia evidências concretas.

Eu achava isso porque estava lendo notícias sobre a diminuição de vagas como essa do presidente do FED, Jerome Powell, em setembro de 2025

Foto de James Powell

Ou essa entrevista do líder da Palantir - UK, Louis Mosley, também em setembro de 2025. Na qual ele diz que a IA está subitamente aumentando a produtividade dos desenvolvedores. Você tinha 1 agora tem 10. Ou, em outras palavras, para a mesma demanda, 9 podem ser substituídos. Contudo, a verdade é que não havia dados, ou pesquisas para sustentar essas preocupações.

Q4 2025 (literalmente as últimas 5 semanas)

A narrativa virou de cabeça para baixo em questão de dias.

Começando com o MIT e Oak Ridge National Laboratory (26–27/nov/2025): estudo com o “Iceberg Index” conclui que a IA já é tecnicamente capaz de substituir 11.7% da força de trabalho americana hoje (US$ 1.2 trilhão em salários).

As fontes tradicionais botaram a boca no trombone quase ao mesmo tempo:

Na mesma toada sites antigos e confiáveis como o Tom’s Hardware, Fast Company, Seeking Alpha, Gizmodo, entraram na dança reverberando a notícia.

Dois dias antes do MIT, a McKinsey soltou um relatório dizendo que AI acrescida das tecnologias robóticas já pode, tecnicamente, automatizar até 57% das horas trabalhadas nos EUA e que ≈40% dos trabalhos norte americanos estão em categorias “altamente automatizáveis”.

As fontes tradicionais também repercutiram:

Finalmente, temos o Los Angeles Times. Dando conta que as gigantes de tecnologia enxugaram alguma coisa próximo a 50.000 vagas de trabalho a medida que adotam IA para automatizar tarefas.

Em menos de um ano o clima passou de “não está acontecendo nada” para “12% já pode ser substituído hoje” (MIT) e “40–57% das horas/trabalhos em risco alto” (McKinsey).

A virada de narrativa em 2025 foi brutal e aconteceu literalmente nas últimas 4–5 semanas.

Acrescente a isso, dezenas de postagens em redes sociais, vídeos no YouTube, artigos em blogs, e discussões em fóruns como Reddit e X, onde profissionais de diversas áreas relatam experiências pessoais de substituição ou redução de suas funções devido à IA. Ou empresas como Amazon, Google, Microsoft, e outras que estão adotando IA para automatizar tarefas que antes eram realizadas por humanos.

A Oportunidade está aí

Um fará o trabalho de dez. Este um continuará a ser pago, talvez até melhor. Este cara terá mais tempo livre, menos estresse, e mais qualidade de vida. Ele será capaz de orquestrar, talvez curar, sistemas de inteligência artificial. Este cara terá um perfil generalista, com habilidades de gestão, comunicação, e pensamento crítico. E, mais importante de tudo, será capaz de entender sistemas complexos e direcionar o trabalho muito além do melhor que somos capazes hoje.

Você pode ser esse cara. Mas precisa se preparar. E rápido. Comece estudando matemática e lógica. Aprenda a programar. Entenda como funcionam os modelos de linguagem. Desenvolva habilidades de pensamento crítico e resolução de problemas. Então, só então, pode ser que o cara seja você.

Não se preocupe muito, se voltarmos ao relatório da McKinsey, e fizermos um gráfico proporcionando o impacto pelos países mais afetados, quando chegar no Brasil, só vamos perder um emprego. O seu.

Este gráfico foi publicado por um analista de mercado japonês no X.